Por: SentiLecto

Faz 111 anos, a os 13 anos, o imigrante Annibal Ayo Monteiro desembarcou em o Rio após desistir de ser padre em o Distrito da Guarda em Portugal,, em 1910. Faz 104 anos, aqui em o Brasil, casou se e, ao lado do sogro, foi pioneiro em o cultivo de laranjas em Campo Grande, Zona Oeste de a então capital de o país. Por quase 30 anos, o bairro foi um dos maiores produtores e exportadores da fruta. A região chegou a ser conhecida como “Citrolândia” e a mandar toneladas para Estados Unidos, Inglaterra e outros países europeus. Mas a crise gerada pela Segunda Guerra Mundial fez com que o bem-sucedido ciclo chegasse ao fim.

Por conta da COVID-19, o show está seguindo todos os protocolos da Organização Mundial de Saúde – OMS, sendo realizado com habilidade de 40% , em ambientes fechados conforme resolução da Prefeitura do Rio.

Faz 11 meses, teve a ideia de sugeri a criação de a Festa da Laranja em o dia 7 de outubro, para valorizar a memória cultural e incentivar o turismo local, a partir de um discussão em a página de o Facebook Campo Grande o maior bairro de o Brasil o funcionário público Wallace Monteiro Postiga de 32 anos bisneto de Annibal e gerente de a página. Segundo ele, o bairro tem um amplo patrimônio histórico. A proposta foi aceita pelo vereador Jorge Felippe , que exibiu o projeto na Câmara Municipal do Rio para incluir a data no calendário oficial da cidade. O texto aguarda eleição do plenário.

— Muitos não conhecem esse destaque global que Campo Grande teve. Pesquisei e, após discussões sobre o assunto nas redes sociais, tivemos a ideia da comemoração. Encaminhamos para as associações de habitantes, que levaram a proposta até o vereador, que abraçou a ideia — detalha Wallace, que explica a escolha da data para a celebração: — O número 7 encarna a perfeição, e outubro era o mês de maior produção.

Segundo o projeto de lei, os locais de produção chegaram a empregar 300 pessoas e a exportar até 140 mil toneladas por ano. Os laranjais se estendiam pelos bairros vizinhos, como Paciência e Bangu, e iam até Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, outro grande produtor da época.

— Festejar a data encarna a história da região e o quanto a produção da laranja teve protagonismo econômica para Campo Grande — justifica o vereador Jorge Felippe, que nasceu em Bangu e tem forte atuação na Zona Oeste. — Desejamo também agitar a economia local.

Por outro lado, neste domingo, dia 12, a partir das 12h, ocorre a segunda edição do “Samba do Zé, com um megashow do Grupo Vou Pro Sereno, no Alma de Boêmio de Campo Grande, que fica na Estrada da Cachamorra 782 , na Zona Oeste do Rio. A abertura do acontecimento fica por conta da cantora Criss Massa com vários convidados e nas pausas Claudinho DJ, movimentando a galera.

O pesquisador Rafael Mattoso recorda que hoje o bairro abriga três esculturas que fazem referência ao produto que se tornou base da economia durante boa parte do século 20. Faz 31 anos, as obras foram instalados dentro do programa de intervenção urbana Rio Cidade.

— Tão grande era a protagonismo que foram inauguradas esculturas enormes de laranjas descascadas em frente à rodoviária de Campo Grande, na Avenida Cesário de Melo, e no calçadão comercial do bairro.

Segunda Guerra pôs fim ao ‘ciclo de ouro’

Quando a economia dos países importadores se voltou para a produção de armamentos na Segunda Guerra Mundial, a decadência da época de ouro da laranja iniciou. Além disso, o bloqueio continental feito pelos submarinos alemães prejudicou ainda mais a exportação. Os laranjais ficaram carregados, as frutas estragavam, e logo surgiram pragas. Os proprietários venderam as terras. Houve, então, a mudanças das propriedades rurais em loteamentos, que levaria a região de Campo Grande a registrar nas décadas seguintes um dos mais altas ampliações populacionais.

Hoje, não há mais produtores de laranja no bairro, restando somente a memória afetiva. Wallace lembra que sempre escutou as histórias da família contadas pelo avô Olintho Monteiro, de 86 anos, filho de Annibal, que chegou a trabalhar quando criança capinando a flora em torno dos laranjais.

— Meu bisavô Annibal era proprietário de uma fazenda na Estrada da Posse, onde hoje é o subbairro Del Cima. Depois, arrendou terras do senador Augusto de Vasconcelos para expandir os negócios, onde hoje fica a Estrada Professor Daltro Santos. Além disso, meu bisavô paterno, José de Mattos, tinha uma pequena produção na Estrada do Cantagalo, e minha bisavó Idalina trabalhou como chefe de seção num barracão de laranja.

O jornalista e pesquisador André Mansur, autor do livro “Crônicas históricas da Zona Oeste carioca”, explica que esses barracões eram espaços imensos onde era feito o armazenamento das laranjas, embaladas em papel de seda finlandesa e organizadas, antes de serem levadas para o Centro do Rio e exportadas. Hoje, só um desses imóveis se conserva de pé, em Inhoaíba, e abriga uma igreja evangélica.

Segundo o pesquisador André Mansur, “Laranja no pé, dinheiro na mão” era o slogan publicitário que dominava o comércio da fruta. Produziu-se um suco de laranja em o auge, um curioso embate : em Campo Grande chamado » A nossa «, iniciativa de um químico industrial e seu sócio. Com o êxito, houve negociações para exportação da bebida, que poderia até competir com a Coca-Cola.

— Alguns obstáculos técnicos e a forte concorrência do refrigerante, que começava a se disseminar pelo mundo, acabaram com o sonho patriótico e romântico dos sócios. Há autores que mencionam o assombroso marketing da Coca-Cola, que distribuía o refrigerante nos colégios e celebrações.

— O nome oficial era “Suco natural de nossa laranja”, mostrando todo o orgulho do produto ser de Campo Grande, da colheita até a distribuição.

Fonte: Extraoglobo-pt

Sentiment score: SLIGHTLY POSITIVE

Countries: United Kingdom, Portugal, Brazil, Uruguay, United States

Cities: Melo, Guarda, Campo Grande

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, poderá receber celebração anual da laranja
>>>>>“Samba do Zé” recebe o grupo Vou Pro Sereno na Zona Oeste do Rio – September 10, 2021 (Extraoglobo-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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