Por: SentiLecto

Foto: Wikipedia – Eduardo Paes toma posse como prefeito do Rio de Janeiro pela terceira vez

Moradora de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, a diarista Lamede Alves, de 48 anos, acorda todo dia antes de o sol raiar para chegar a tempo no seu serviço, na Taquara, também na Zona Oeste. E, todo dia, por falta de opção, se depara com o mesmo drama: o medo de pegar um ônibus lotado na estação BRT Mato Alto, em Guaratiba, e ser infectada pelo coronavírus em meio às aglomerações.

— É terrível. Tenho bastante medo de me contagiar e não poder trabalhar — declara ela. — Já fiquei duas semanas sem poder trabalhar depois de me derrubarem na correria para pegar o ônibus. Não temos seguro, não temos nada. Vamos para o médico sozinhos, ficamos sem trabalhar, perdemos um dia de trabalho e perdemos dinheiro. Sou diarista, trabalho por diária — desabafou a mulher, suando na fila das catracas, às 6h48m desta quinta-feira.

No dia em que a Prefeitura do Rio publicou um decreto limitando o horário de funcionamento de diversos serviços e estabelecimentos para tentar conter o progressão da Covid-19 na cidade, o que se viu no corredor Santa Cruz do BRT, o mais agitado do sistema, foi uma operação na contramão: mais uma manhã de aglomerações, veículos superlotados e desrespeito às rnormasde segurança sanitária. Boates, salões e casas de shows, o novo decreto não traz nenhuma nova resolução a respeito dos transportes públicos, que continuam funcionando normalmente, embora o município tenha decidido, nesta quinta-feira, restringi a atividade de bares e restaurantes e proibir acontecimentos em.

A chef de cozinha Verônica Azevedo, de 44 anos, utiliza o modal diariamente para ir de Campo Grande, onde mora, ao Recreio dos Bandeirantes, onde trabalha. Depender do BRT para fazer o trajeto durante a pandemia foi «péssimo», declara ela.

— Desejo que melhorem as condições. Os ônibus, que com o suporte da Polícia Militar, dois grupamentos da Guarda Municipal, o GET Oeste e a 13ª IGM , patrulhavam os arredores da estação às 6h15m, tdevem pararde pegar fogo , e também está difícil de suportar a superlotação. Mas tenho esperança de que melhorará.

Filiado ao Democratas, é o atual prefeito do Rio de Janeiro.

Nesta quarta-feira, o prefeito Eduardo Paes anunciou uma intervenção da prefeitura no comando do BRT, que vai sair das mãos da concessionária que gerenciar o sistema atualmente. Com a transição contratual, que a prefeitura tem que consolidar em até quatro meses, Paes prometeu ampliar o tamanho da frota disponível no consórcio Santa Cruz, além de intensificar, com a ajudinha da Guarda Municipal e dos agentes da Secretaria de Transportes, o controle sobre as medidas de segurança sanitária. Contudo, as imagens das filas de embarque e do interior dos ônibus capturaram o que já se tornou normal no BRT, embora a fiscalização na área contasse com reforço nesta quinta-feira: usuários sendo transportados «como gado», como o próprio prefeito definiu. No total, eram cinco viaturas da GM e duas da PM, além de uma patrulha da Secretaria de Transportes. Num dia como qualquer outro, somente duas viaturas da GM atuariam no local, declararam os funcionários da corporação. Segundo eles, no entanto, o esquema especial desta manhã não teve a ver com o respeito aos protocolos sanitários, mas com uma suposta manifestação que estaria marcada para ocorrer no local. Os usuários não deixaram de provar indignação com a negligência das autoridades frente ao risco de contaminação pelo coronavírus, embora nenhum protesto tenha acontecido. Empoleirados em ônibus cujas portas sequer se fechavam, os usuários faziam sinal negativo com as mãos para as câmeras das equipes de jornalismo.

Segundo funcionários da estação, apesar da crescente insatisfação dos usuários, o serviço do modal piorou nos últimos meses. A frota reduziu devido às más condições dos veículos, que costumam aexibiproblemas frequentes, ddeclarameles. Na manhã desta quinta-feira, as principais linhas que passam pela estação ou partem dela — as expressas 13 e 12 e a paradora 25 — operavam com pausas de 15 a 20 minutos. Frequência insuficiente para o atendimento da procura da estação, segundo os funcionários. Ela interliga passageiros de três regiões muito populosas da Zona Oeste: Campo Grande, Santa Cruz e Barra da Tijuca.

No Terminal Santa Cruz, apesar do movimento moderado, uma fila de cerca de 30 pessoas, muitas delas sem máscara, cruzava o interior da estação por volta das 8h15m desta quinta-feira. Na bilheteria, o pedreiro Fábio Nascimento, de 42 anos, preparava-se para encará-la. Ele pega o BRT todo dia rumo à Barra da Tijuca, onde trabalha.

— O serviço está terrível. Tumulto, ônibus quebrados, tudo quebrado. Temos que orar, pedir bastante a Deus para chegar ao destino. E também tem o medo de pegar Covid — declara ele.

Com a intervenção da Prefeitura, Fábio espera que resolvam-se os maiores problemas de o modal em breve:

— A esperança é a última que falece, né? A prioridade é melhorar as condições dos ônibus. O número de carros também tem que ampliar, para dar vazão.

Na quarta-feira, dia 3, Paes declarou que a prefeitura vai assumir a gestão do BRT, em substituição ao que ele mesmo promoveu em 2010, durante seu primeiro mandato. De acordo com o prefeito, o município vai dirigi o serviço enquanto busca realizar uma licitação para que uma nova companhia gerenciar o transporte, hoje à cposiçãodo consórcio BRT. O objetivo do movimento é tentar solucionar os problemas que assolam o transporte coletivo da cidade, agravados com a pandemia da Covid-19.

Paes alegou que, quando inaugurado, o sistema do BRT contava com 400 ônibus. Hoje, ele afirma que são somente 200 em circulação. O prefeito também mencionou a situação das estações fechadas e alegou que já comunicou o consórcio sobre a resolução da prefeitura.

— Eu declarou que faríamos de qualquer jeito. Ou de maneira pacífica, ou mais dura. Já há uma percepção do sistema da incapacidade de conservar o BRT adaptado. A conversa foi boa. Não votamos opções — contou Eduardo Paes.— Essa não é uma resolução permanente. É para licitar, e não para devolver depois, como fez o Crivella . É um meio para depois licitarmos. Eles tratam a população como gado. Não é uma encampação. Não desejamo uma CTC no BRT — declarou o prefeito.

Na sábado 20 de fevereiro a sétima edição do boletim epidemiológico semanal sobre a Covid-19, enquanto seis permaneceram com risco alto, divulgada pela Prefeitura do Rio, mostrou que 27 regiões administrativas da cidade regrediram para a classificação de risco moderado de contágio. Apesar da melhora, todo o município teria que continuar satisfazendo as medidas restritivas estabelecidas para as áreas de risco alto, devido à confirmação de que já há transmissão comunitária na capital das cepas do novo coronavírus identificadas inicialmente em Manaus e no Reino Unido .

O prefeito adicionou que já conversou com o Ministério Público estadual sobre o assunto, e declarou que será feito um aditivo ao contrato. Segundo ele, ainda não há uma data para o começo do processo de administração pela prefeitura, mas há expectativa por parte do município de que a transição ocorra em até quatro semanas.

Fonte: Extraoglobo-pt

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Countries: Brazil, Bolivia, Gambia

Cities: Campo Grande, Santa Cruz, Barra

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Covid-19: na contramão das novas limitações no Rio, BRT continua com ônibus superlotados e aglomerações
>>>>>Paes anuncia que prefeitura assumirá o BRT até que seja feita nova licitação e diz que passageiros hoje são tratados ‘como gado’ – March 03, 2021 (Extraoglobo-pt)

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