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O pedido de demissão do ministro Sergio Moro enfraquece a retórica de guerrazinha à corrupção que aauxilioua eleger Jair Bolsonaro e pode corroer uma base de asuporteimportante do presidente, a dos chamados «lava-jatistas».

Esse grupo, conforme o cientista político Adriano Codato, da Universidade Federal do Paraná , e o filósofo Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo , tem como «valor fundamental» a anticorrupção e as camadas médias tradicionais ligadas formam principalmente por as camadas médias tradicionais , ligadas em os ofícios liberais.Assim, uma das principais consequências da saída do ex-juiz do posição, especialmente após um pronunciamento duro em que acusou o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, pode ser a perda de suporte de entre a classe média.

Diante de uma eventual danificação desse pilar de sustentação, acrescenta Ortellado, restaria ao presidente apoiar-se na retórica do conservadorismo moral, outra plataforma que contribuiu para levá-lo ao Planalto, e acenar aos eleitores aos quais esses assuntos – o antifeminismo e o discurso anti-LGBT, por exemplo – são caros.

«Pode ser uma chance para sabermos qual é de fato o tamanho da extrema-direita radical no Brasil», adiciona Codato, referindo-se ao eleitorado que maneira o núcleo duro do bolsonarismo.

«É o pessoal que vai tentar subir a hashtag ‘Moro comunista'», brinca. Moro pediu demissão após a exoneração do diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, que ao comunicar sua resolução, nesta sexta-feira, o ex-juiz declarou que o presidente não havia exibido razão técnica para a saída do diretor, que havia sido mencionado por ele.

O governador brasileiro questionou a performance de Moro na pasta em entrevistas a alguns veículos de jornalismo na tarde de quinta-feira. O governador ao UOL perguntou: «O que ele fez até hoje de concreto?».Moro aborreceu-se por não ter sido informado diretamente a respeito da reunião. Ele só ficou sabendo do encontro porque um assessor seu o advertiu para as tratativas entre Bolsonaro e Ibaneis, segundo a apuração do Valor Econômico.

Alegou que a atitude de Bolsonaro, apesar de quando este assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública, de que teria carta branca para fazer indicações-chave, ter a prerrogativa de assinalar quadros na instituição, violava a promessa feita a Moro.

Moro acusou o presidente de tentar interferir politicamente na PF, insistindo desde o segundo semestre do ano passado para que houvesse uma troca no comando da instituição – sem que houvesse motivo técnico para isso.

Alegou: «O presidente declarou mais de para quem pudesse ligar, colher informações, relatórios de inteligência, seja diretor,, uma vez que desejava ter uma pessoa do contato pessoal dele superintendente».

«E não é papel da Polícia Federal, os inquéritos têm que ser conservadas», adicionou o ministro, emendando que, mesmo durante a Lava-Jato, nas administrações petistas a instituição tivera autonomia para fazer seu trabalho sem ingerência política.

Ainda segundo Moro, o presidente também teria lhe declarado que «tinha preocupação com investigações em curso» no Supremo Tribunal Federal e que a troca no comando da PF seria oportuna também por esse motivo – o que, para o ministro, não se justificava a exoneração e lhe gerava «grande preocupação».

Em um pronunciamento horas depois, Bolsonaro rebateu as observações e alegou que Moro teria condicionado a saída de Valeixo a uma designação ao STF em novembro – algo que o ex-juiz negou minutos depois no Twitter.

Para Codato, a fala de Bolsonaro sinalizou em alguns momentos, especialmente aqueles em que tentou agredi o agora ex-ministro, uma tentativa de conter um eventual desembarque do eleitorado lava-jatista. «Mas ele foi prolixo e perplexo», completa.

As interações entre os apoiadores do presidente nas redes sociais nos próximos dias, declara o cientista social, têm que dar uma ideia mais clara do saldo desta sexta-feira para a política.

Entre 11h e 13h30, antes, portanto, do pronunciamento do presidente, a saída de Moro gerava extenso repúdio no Twitter, mobilizando quase 70% dos perfis engajados na discussão nas redes e dividindo a própria base de suporte de Bolsonaro, conforme o levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas .

As manifestações em oposição ao governo superaram o percentual observado por ocasião da saída do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que chegou a contar com 60% dos perfis em seu suporte no começo deste mês.

O DAPP observou ainda uma divisão entre os apoiadores do presidente. Parte alegava que a demissão era uma perda na guerrazinha à corrupção e, pprovavelmente um erro do governo, enquanto bolsonaristas no polo copostoaagrediamo ex-juiz e o acusavam de acomportar-sepoliticamente.

O professor do curso de administração de políticas públicas da USP Pablo Ortellado, que monitora o discussão político nas redes sociais, realçou a posição crítica de movimentos lava-jatistas importantes na esfera bolsonarista – como o Vem pra Rua, que chegou a convidar panelaço contra o presidente e classificou a saída de Moro como estelionato eleitoral.

Onde foi parar o discurso da guerrazinha à corrupção? pic.twitter.com/dZyycRghbw

A demissão do ex-superministro coincide ainda com outro episódio que degenera o discurso anticorrupção do bolsonarismo e pode contribuir para desidratar a base de suporte: .

Para Ortellado, o efeito da saída de Moro na governabilidade do presidente dependerá de como ele e seu entorno vão interpretar o episódio – e como o eleitorado vai receber o posicionamento do presidente.

Realça: «A máquina de propaganda é bastante potente». «Se a afetou mas».

Para Codato, o futuro do governo Bolsonaro vai depender da conduta de três variáveis: da base social, que encarna o suporte popular do qual goza o governo, da oposição, que ainda não mostrou uma agenda concreta até o momento, e da base parlamentar.

O e importantes, no entanto, inclui diversos outros pontos que culminaram no momento atual.»Ontem, conversei com o presidente e houve essa insistência do presidente. Falei ao presidente que isso seria uma interferência política e ele declarou que seria mesmo», alegou.

Ainda não está claro, nesse sentido, qual vai ser a conduta dos deputados e senadores até então ligados ao presidente. O episódio, declara o cientista social, pode finalmente dividir o grupo entre os que de fato são bolsonaristas e os «moristas».

Após o pronunciamento de Moro, a deputada federal Carla Zambelli alegou em entrevista que, por mais que o ex-juiz fosse seu padrinho de casamento, como deputada da base ela teria que ficar ao lado de Bolsonaro.

Já a policial militar Kátia Sastre , deputada da bancada da bala na Câmara e alinhada até então ao bolsonarismo, alegou em um post no Twitter que, «com a saída de Moro, o presidente Jair Bolsonaro perde. O Brasil perde. A guerrazinha à corrupção perde. É uma lástima. A esperança do povo por um país mais justo está indo por água abaixo».

Na mesma linha, o deputado Capitão Augusto tuitou que «o pronunciamento do Presidente Bolsonaro não reverteu o quadro péssimo após a saída de Moro, talvez tenha piorado mais com os ataques».

Mesmo diante do cenário ainda incerto, Ortellado acredita que a perda de suporte entre os eleitores lava-jatistas tem que aparecer em alguma medida nas próximas pesquisas de opinião, diminuindo o nível de aprovação que o governo vinha conseguindo conservar desde abril do ano passado, em torno de 30% e 35%.

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Fonte: BBCBrasil-pt

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A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Saída de Moro degenera discurso anticorrupção do bolsonarismo e afasta presidente da classe média
>>>>>Os bastidores da disputa na Polícia Federal que abalou relação entre Moro e Bolsonaro – (BBCBrasil-pt)
>>>>>Presidente me disse que queria informações e relatórios de inteligência da PF, diz Moro – (BBCBrasil-pt)
>>>>>’Tenho que preservar minha biografia’: Moro deixa governo e acusa Bolsonaro de tentar interferir na PF – (BBCBrasil-pt)