Por: SentiLecto

Eu dei o meu primeiro beijo aos 12 anos. Naquela época, muitas amigas minhas já não eram «BV» , e as que ainda não tinham beijado, sem dúvida desejavam ou no mínimo imaginavam essa experiência. Perdíamos muito tempo pensando e falando nesse tema. O meu, foi um beijo bem ruim, num menino do colégio de quem só recordo o primeiro nome.

Faz 1 dia, o beijo de uma menina de 12 anos viralizou em as redes sociais, ontem. E o que à primeira vista parecia um romance entre dois adolescentes logo virou alvo de críticas, julgamentos, adenúncias É que o beijo era num jovem de 19 anos. Para a Organização Mundial da Saúde ela vai dos 10 aos 20, embora a lei de Brasil estabeleça que a adolescência inicia aos 12 e conclui aos 18.

O par tinha até perfil conjunto no TikTok chamado «Quarententados» e postou vídeos com direito a fundo musical romântico e participação das mães de ambos, que utilizaram lança-confete para celebrar o afeição teen. Um dos vídeos concluía num beijo de novela.

Não tardou para a patrulha das redes fazer vídeos evocando o código penal, instituindo memes em que o jovem aparece dentro de um presídio ou camburão com as mãos algemadas. «É estupro!», acusava um. «Pedófilo!», impelia outro.

Confesso que fiquei perplexa. Vai ser que perdi o bonde da história? Duas ou três gerações antes da minha, meninas adolescentes namoravam, em seguida casavam e tinham filhos, formando a «tradicional família de Brasil». Foram nossas avós, bisavós. Claro que o simples fato de ter sido aceito no passado não é passaporte para uma tradição ser perpetuado. E hoje a luta contra o casamento infantil é uma importante bandeira internacional. Evoluímos! Vai ser?

Fiquei procurando o «ato libidinoso» assinalado pelos críticos para embasar o «estupro de vulnerável», quando vi o vídeo do beijo. Só consegui ver dois adolescentes apaixonados. E duas mães pagando um certo mico em rede internacional. Mas não ficamos todas «bobas» por nossos filhos? «Não sei se é o nosso papel julgar», me recordou uma amiga psicóloga. Tentei entrevistar outros profissionais da psicologia. Mas acredito que a histeria das redes repele quem leva o trabalho a sério.

Também não consegui resposta dos adolescentes que protagonizaram a polêmica. Baniram-se seus perfis de o TikTok e eles não responderam em o direct de o Instagram. Mais tarde, postaram um vídeo perguntando: «Vocês acreditaram?» Juraram que era trolagem. Tarde demais. Ninguém acreditou.

Escutai, então, a advogada especializada em direito da criança e do adolescente Silvana do Monte Moreira, que se assombrou com a gravidade das denúncias feitas por internautas.

— Um beijo na boca entre uma adolescente de 12 anos e um jovem de 19, com a aprovação das famílias e suporte das mesmas, não parece similiar a qualquer cometimento de crime. Eu acho insólito as mães estarem incentivando. Eu nunca incentivaria uma filha de 12 anos a namorar. Mas não consigo compreender como crime. Embora não tenha visto o vídeo, não vejo ato libidinoso — avaliou Silvana, que até o ano passado era presidente da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-RJ.

Para ela, a sociedade deveria se inquietar com a falta de educação sexual nas escolas para que meninas de 11 anos não voltem a engravidar por não saberem que estão sendo abusadas, como ocorreu no Espírito Santo.

— Eu gostaria de ver essa mesma atuação da sociedade com relação a adolescentes que não têm escola e que realmente são vítimas de abuso sexual — declarou ela, que me abasteceu com números angustiantes.

Segundo ela, a diminuição de 12% das acusações de violência sexual contra criança e adolescente do ano passado para este se deve ao encerramento das escolas pela pandemia de coronavírus.

— Porque, se a criança é abusada sexualmente ou se apanha em casa, ela reclama à professora. Sem aulas presenciais esse approach não existe. Faz 9 meses, de a mesma maneira, o acolhimento institucional em o Rio por abuso e maus-tratos de menores reduziu %50 — contou.

Os vídeos dos «Quarentenados» ficaram para trás. Embora ainda haja prints por aí, se apagaram os originais. Como declarou uma das minhas filhas adolescentes, o que entra na internet não sai fácil.

Mas não demorou para os brasileiros darem um jeitinho e adotarem uma variação com acento circunflexo, inexistente em inglês. Assim surgiu #sextôu, que ainda está valendo.Adotei um cachorro para minhas filhas na quarentena e quase surtei

Na segunda-feira 19 de outubro a hora de dormir podia até ser empurrada para mais tarde, mas uma coisa que um adolescente não dispensaria nos dias de era jantar cedo. E muitos vinham pedindo biscoito a qualquer hora do dia. Não compreendeu nada? era que não tem nada a ver com maus costumes alimentares. Na adolescência, a fome era de pertencimento e aprovação, e os verbos passaram a ter novos sentidos.

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Fonte: Extraoglobo-pt

Sentiment score: SLIGHTLY NEGATIVE

A história desta notícia a partir de notícias prévias:
>Beijo adolescente: romance ou crime?
>>>>>#sextou ou #sextôu? Saiba por que você deve usar a segunda forma – October 23, 2020 (Extraoglobo-pt)

Entidades mais mencionadas e sua valorização na notícia:

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